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Previsões imprevisíveis
A calotas polares se derreterão completamente. Diadema terá o melhor camarão frito do litoral Sul. A Igreja Católica aprovará a união gay. Juntamente à veemente proibição de vestidos de noiva nos casamentos.
O Mal da Vaca Louca se espalhará pelo planeta, impedindo a comercialização de carne bovina. O McDonalds curiosamente continuará vendendo seus hambúrgueres normalmente.
Escrito por Luciano Favaro às 18h39
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Impoliticamente correto
A onda do Politicamente Correto anda cada vez maior. Meu vizinho tem um cachorro que se chamava Negão. Para evitar complicações, passou a chamá-lo de Grande Afro-Descendente...
Escrito por Luciano Favaro às 19h08
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Deserto
Um anjo voa pelo deserto Está a procura de algo, muito distante de seus olhos Procura o amor, sem sarcasmo, subversão, hipocrisia Já voou por muito além dos horizontes Está cansado... Em suas asas, câimbras, desilusão Está cansado... seu corpo pesa demais De seus olhos, antes ressecados e trêmulos Caem agora lágrimas e sangue, enegrecendo sua visão Está cansado Seu corpo lentamente pende ao chão Não resiste, cai Suas asas ainda batem, reflexo do desespero Está agonizando Faz lembrar uma criança amedrontada Paralisado, descrente Luta contra seu fim Luta pelo amor Em vão
Escrito por Luciano Favaro às 18h31
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Minha viagem ao Show dos Stones
O ônibus aguardava pacientemente em frente ao majestoso Teatro Municipal de São Paulo, com todas as suas luzes embelezando a Cidade que nunca dorme. Quando deu uma da manhã, começaram a chegar os viajantes do rock. Gente cabeluda, gente tatuada, gente legal. Todos a bordo, tudo ok? Hey oh, let's go!! Eu, que no meio de tanta gente só conhecia dois velhos amigos de adolescência, tratei de puxar papo aqui e ali, e logo percebi que a viagem - viagem não, a festa - seria agitada. Havia bebia de todo tipo, cerveja, rum, gim, vodka... Álcool suficiente para levar um foguete à Lua, e maconha a níveis caribenhos de consumo. Eu, com meu grau risível de resistência etílica, fiquei na boa e velha cerva mesmo, não queria apagar e perder toda a animação sobre rodas. Seis horas depois, e com uma única hora de sono espremida na poltrona do ônibus, finalmente chegamos à Cidade Maravilhosa. Mochila nas costas, rumo ao oeste, cara pálida! Enquanto caminhávamos para o epicentro rock do universo, a praia de Copacabana, Corcovado e velhinhas saradas (toda velhinha é sarada no Rio de Janeiro) por toda extensão costeira. A maratona foi interrompida apenas para um pit-stop etílico às nove da manhã e uma foto em frente ao out-door que anunciava o show, uma foto que certamente ficará para a posteridade (para a minha, pelo menos). Após mais de dez quilômetros embaixo do Sol fluminense, pés latejando, suor na cara, (tudo vale a pena se a alma e banda não são pequenas), avistamos, ao longe, as areias da praia, como se fossem um oásis tropical. O grupo precisava urgentemente de sombra e água fresca, e logo nos enfiamos debaixo dos coqueiros da praia. Mochilas agora eram travesseiros e o chão fofo transformara-se no melhor colchão que um ser humano poderia desejar. Esticamos nossos esqueletos e ficamos ali, conversando, bebendo, sorrindo, celebrando a vida, como se estivéssemos em um Woodstock, mas um Woodstock sem aquela nostalgia chata dos velhos hippies. Estávamos vivos e era isso. Sentia a alegria de viver, de liberdade, da juventude refrescando a alma. Uma juventude que, na verdade, não tem idade. Já de noite, curtimos duas boas bandas, como um aperitivo para o banquete musical que nos aguardava. Primeiramente, um reggae honesto e despretensioso. Logo após, os Titãs, fantásticos Titãs fazendo todo o público orgulhar-se do sangue – e do som – brasuca. Foi então que, às dez e quarenta da noite, ouviu-se um acorde saindo magicamente pelas gigantescas caixas de som. Um único acorde que fez as areias brancas e serenas de Copacabana virarem brasa incandescente. Mais de um milhão de pessoas agora pulavam endoidecidas enquanto no palco, gigantesco e colorido, surgiam os maiores e mais mortíferos dinossauros do Rock de todos os tempos: THE ROLLING STONES! Inacreditável, eu estava ali, no maior show, na maior festa que já foi feita no planeta. Eu, meus amigos, a Lua, a praia, a noite, o som... Por duas horas, o mundo ficou mais alegre, menos moralista, menos chato, mais jovem, mais feliz. E quando Sir Mick Jagger e sua turma terminaram o último bis, e as luzes se apagaram e o show terminou, senti uma satisfação imensa de ter feito parte de tudo aquilo, com a certeza que aquela noite jamais sairia da minha memória. Eram três da manhã e todos estavam moídos. Mais dez quilômetros a pé? Por misericórdia, parem aquele táxi! E lá fomos nós, sete perdidos em uma noite suja e quente dentro de um táxi de volta ao ponto de partida. Na volta para casa, um silêncio tibetano imperava dentro do ônibus, velando o sono merecido de todos nós, amantes da boa música. Já era dia quando acordei. Cara de sono, beijos e abraços nos velhos e nos novos amigos de estrada... Desci do ônibus, mochilão nas costas, queria chegar em casa, tomar um banho, comer, curtir uma música no rádio. Qual som ouvir? Stones, é claro! Só pra matar a saudade...
Escrito por Luciano Favaro às 18h30
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Agradeço
Estava em Peruíbe, sábado, quando senti algo novo no meu universo de sensações. Eram quase seis da tarde e estava na água, no rasinho, vendo meu pai e minha sobrinha de cinco anos brincando e rindo. O tempo estava um pouco nublado, mas só um pouco, a luz do sol estava camuflada por entre as nuvens. Meu irmão e minha cunhada, na areia, conversando e sorrindo. E então olhei para os lados, e vi o mar, calmo e morno naquele fim de tarde de verão. Ao lado estava a linda montanha de Peruíbe, tão misteriosa e tão imponente... Comecei a observar tudo ao meu redor, quieto, ouvindo só o barulho das ondas... meu pai, minha sobrinha, meu irmão e minha cunhada, o mar, os pássaros no céu, a montanha, a brisa do mar... foi então que me emocionei... Me emocionei por gratidão. Uma gratidão tão verdadeira e profunda pela minha vida, pelo barulho do mar, pela areia da praia, pelo ar que respirava... Quão gloriosa é a vida, quão glorioso é viver, é fazer parte de algo infinitamente complexo e belo. Agradeço por ser mais um grão de areia na imensidão do mundo, por ser parte desta perfeição, agradeço não por ser mais importante que aquela gaivota que voava na praia, agradeço por ser igual a ela, por ser igual à onda do mar, igual à montanha de Peruíbe... Agradeço por existir. Agradeço por simplesmente ser.
Escrito por Luciano Favaro às 12h09
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Ele
Sete dias se passaram, e então tudo estava pronto. E aí Ele foi inventar de criar algo diferente com o montinho de argila que havia sobrado, e assim surgiu o homem. Dizem que Ele já foi pego resmungando baixinho “maldito montinho...”, mas ele nega de pé junto. O fato é que, desde sua última invenção, não tem mais sossego. Começou bem com os egípcios, e ficava até um pouco exaltado quando contava sobre os fenícios. Com os gregos então, ninguém O agüentava. Mas aí apareceram os romanos. Ai... aí a coisa começou a desandar. Aquela história dos dois bebês mamando em uma loba O deixou intrigado, apesar de ter achado um tanto anti-higiênico. Bem, o fato é que os bebês cresceram e acharam que a toca da mamãe já não era grande o suficiente para eles, e então tomaram conta de toda a Europa e a pontinha da África. Ele ficou admirado com a grandiosidade daquele pessoal. No entanto, aquela brincadeirinha com leões que eles adoravam O deixou puto, e então resolveu enviar Seu filho para colocar as coisas no lugar. Ele discorda, mas o comentário que se ouve por aí é que pelo jeito não deu muito certo. Até que um dia os Bárbaros souberam que quem tem boca vai a Roma e resolveram ir, e aí não sobrou loba para contar história. O tempo foi passando. Surgiram os franceses, e Ele adorou algumas invenções daquele pessoal, como o croissant e o patê de galinha, outros Ele ainda não conseguiu entender muito bem, como o bidê, a gravata e, em especial, a guilhotina, que enfiou de forma não muito sutil os conceitos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade na cabeça do povo. Logo depois, apareceram os ingleses, que, ao contrário dos franceses, nunca conseguiram ao menos fritar um ovo sem que este virasse omelete. Em compensação, foi da cabeça daquele povo que saiu uma das mais importantes invenções de todos os tempos, a máquina, que não era nem tão gostosa como o patê, nem exótica como a gravata borboleta, mas que de uma coisa Ele não tinha dúvida: depois das máquinas, nada permaneceu como antes. Aliás, depois das máquinas, Ele, que sempre dormiu ao menos 10 horas por dia, passou a dormir no máximo 8. O tempo então começou a andar mais rápido, já que não era mais preciso o Sol para se ter luz. Justamente o Sol, que dera a Ele tanto trabalho. O tempo passou, e duas grandes guerras surgiram, e se não fosse Ele para dar uma mãozinha, tudo já teria ido pelos ares. Mas então, quando Ele já imaginava ter um pouco de sossego depois dos dois sustos seguidos, apareceram os norte-americanos. Logo Ele percebeu que moda não era o forte daquele pessoal, devido aos seus conjuntinhos de moletom cor-de-rosa. Contudo, adoravam construir coisas. Coisas grandes. E que queriam ser os maiorais, ser tão grandes quanto suas invenções. Criaram, assim como os franceses, algumas coisas exóticas, como as garrafas de refrigerante de 3 litros, o chiclete de melancia e o patinete (e Ele que sempre achou o rinoceronte esquisito). Criaram coisas interessantes também, como a torta de maçã, o basquetebol e o computador. Por falar em computador, Ele realmente não consegue entender como “esse troço” funciona. Na verdade, Ele sempre teve uns probleminhas com botões. Ir ao caixa eletrônico com Ele era uma desgraça. Mas com o computador a coisa piorou de vez. Ele até fez umas aulinhas particulares, mas depois de uma aula de planilhas no Excel, chegou a duvidar de sua Divina Sabedoria. E a coisa piorou com a chegada da internet. Toda vez que explicavam a Ele o funcionamento do e-mail, que se podia enviar uma carta em Cuba que chegaria na China no mesmo instante, Ele perguntava, perplexo - “Mas e o fuso-horário, heim? E o fuso-horário??” Ficou tão estressado com tudo isso que, depois de muito tempo de serviço, juntou suas férias acumuladas e foi viajar. A última notícia que tivemos dEle é que foi visto em uma praia do litoral cearense, de bermuda e chinelo de dedo, com um lap-top na mão. Estava debaixo de um coqueiro, tentando exaustivamente baixar uma música pela internet. Mas até aquele momento, ao que parece, sem sucesso.
Escrito por Luciano Favaro às 15h10
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