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Do the American dream of plastic sheeps?
Plastificar: tornar plástico; adicionar um produto plastificante a. (Houaiss)
São os americanos feitos de plástifico? É estranho, mas, olhando ao nosso redor, pode-se até acreditar nisso. O cinema, por exemplo - em minha cabeça retrô, foi sempre um lugar aconchegante e acolhedor. Antes da sessão, comprávamos pipoca doce ou salgada na calçada, com o pipoqueiro, e aproveitávamos para puxar um papinho com ele, saber como estava o movimento e tal... essas bobagens que nos fazem humanos. Hoje não, entramos no cinema, e não sabemos em qual estamos, pois são todos iguais. Ao comprar pipoca, o atendente eficientemente nos atende, fazendo uma pergunta previamente formulada por algum gerente – aceita manteiga? Muito obrigado, bom filme, próximo! O atendimento foi plastificado, o atendente foi plastificado, o gerente foi plastificado e até mesmo a manteiga da pipoca, em seu pote mega-combo colorido, foi plastificada. Alguns podem até argumentar que assim é melhor, que isso é eficiência. Mas os copos plásticos são igualmente eficientes, leves e difíceis de quebrar. Mesmo assim, bebemos vinho em taças de vidro, para não falar nas de cristal. O Espaço Unibanco de Cinema, o HSBC Belas Artes, entre outros, são ótimos exemplos de taças de cristal espalhadas por São Paulo. E não é só no cinema. Os seriados de tv, onde as risadas são mecanicamente alegres, (ou alegremente mecânicas), são plastificados. Salvam alguns, apenas alguns. Carros, roupas, programas de esporte... Até as mulheres estão plastificadas! Antes, a menina era bonita, ponto. Hoje não, mulher bonita precisa ser alta, magra, sarada, malhada, oxigenada e turbinada. Se tem cheiro e gosto, isso já não importa muito. Sem mencionar a comida – milhões de saborosos BigPlasticMcs exatamente iguais, na forma e no conteúdo, espalhados pelo mundo todo. Tudo plastimassificado. É... tenho quase certeza que a Pamela Anderson foi colorida artificialmente...
Escrito por Luciano Favaro às 20h43
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Arquimedes, o taxista filósofo.
Em alguns países, principalmente os desenvolvidos, pessoas comuns, como os taxistas, conseguem se transformar em grandes filósofos. Aqui no Brasil, ao contrário, os filósofos se tornam grandes taxistas. Essa é a história de Arquimedes, o taxista filósofo. Não vem ao caso explicar como ocorreu sua transformação de pensador a condutor. Crises, planos econômicos, juros altos, salários baixos... e quando foi ver, Arquimedes já estava dentro de um Gol branco, andando pelas ruas da cidade com a bandeira 2 ligada. Apesar de estar rodando com seu táxi, Arquimedes aproveita os momentos que tem para pensar. Ontem mesmo, entre um farol e outro da Radial Leste, Arquimedes começou a refletir sobre sua vã existência. O Surgimento do Universo, a efemeridade da vida... Estava progredindo bem, até um motoboy passar buzinando em sua orelha esquerda e fazer o filo-taxista perder a concentração. O passageiro do táxi então fez um comentário sobre a mãe do motoboy, e Arquimedes respondeu que São Paulo era assim mesmo e tal... Depois disso, não conseguiu mais voltar à sua linha de raciocínio, e sua vã existência estará mais vã do que nunca. Mas pelo menos voltou para casa feliz: conseguiu descolar 5 mangos de gorjeta do passageiro. Taxista educado é outro papo.
Escrito por Luciano Favaro às 19h50
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