Dia dos Namorados
Hoje é Dia dos Namorados. E hoje é meu primeiro dia dos namorados, após 5 anos, que passarei sozinho. Não me sinto triste, aliás, estou muito bem de espírito. Mas não é por isso que deixei de pensar na data, e entender algumas coisas que aconteceram na minha vida, em meu relacionamento com a Cláudia, minha ex (é até estranho escrever “Cláudia” depois de tanto tempo!). Hoje penso que nada é para ser perfeito realmente. Nada é tão fácil, e cheguei nesta conclusão pensando na Cláudia. Ela era a menina dos meus sonhos. Tudo o que pensava em uma mulher, se concretizou nela. Ela tinha beleza, ruiva (escrever “ruiva” ainda me dá um pouco de calafrio) e bem branquinha, tinha inteligência, bom humor - humor sarcástico, diga-se de passagem - e tinha certa liberdade sexual, certamente mais que a maioria das meninas, sem, por isso, ser vulgar. Além disso, tinha cultura, senso estético, morava próximo à Paulista (Paulista, meu amor), e sabia cozinhar maravilhosamente bem. O que mais poderia querer este rapaz, com uma menina de tantos atributos? Pois é, mas faltou-me uma coisa, coisa que quase ninguém pensa quando o assunto é amor: Faltou-me paz. Ainda hoje não entendo o que aconteceu em nosso namoro, tão alegre, tão cheio de tesão no começo, tão empolgante, para terminar quase como um velório. Éramos tão inexperientes e tão felizes. Éramos também um casal excêntrico. Éramos ou nos tornamos? Não sei ao certo. O que sei é que o namoro começou como uma alegria e uma empolgação digna de Eros e, com o passar do tempo, tornou-se um perfeito um filme do Woody Allen. Sim, vivíamos, eu e ela juntos, um grande filme de Woody Allen. Eu nervoso, ela neurótica. Tão jovens e tão inexperientes. Tantos ciscos, tantas farpas, tantas diferençazinhas mal resolvidas que, depois de 5 anos, explodiu. Explodiu como um grito de desespero, como um grito de ajuda, de socorro, um grito como quem está se afogando, em dor e desilusão. Um grito por paz. Explodiu para mim, e certamente explodiu para ela também. E o que me sobra hoje, depois da explosão e da poeira baixar, é a lembrança. Porque a explosão termina com tudo, com os sonhos, com a alegria, com o brilho nos olhos. A explosão acaba com tudo, menos com aquele espaço no coração onde guardamos tudo o que de melhor acontece conosco, e com tudo o que de melhor aconteceu comigo e com a Cláudia. E então, ainda no coração, me sobra um espaço para, nesse Dia dos Namorados, desejar que ela esteja bem, quem sabe já com um outro alguém, e desejar que ela leve, consigo também, um pouco do melhor de mim.
E BOLA PRA FRENTE QUE A VIDA CONTINUA!
Escrito por Luciano Favaro às 19h36
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