A Estrada Sem Nome


Madrugada em São Paulo

Em boa companhia
Verde esmeralda
Do painel do meu velho carro
Saio por aí, e pelo asfalto vejo
Os holofotes dos imensos arcos do Chá
Transformando o chumbo, cinza e escuro,
Em ouro bruto
E em ouro,
Também se banham
Os Arcos do Jânio,
O Municipal e a Velha Sé
Vejo a dança luminosa, silenciosa e solitária
Dos faróis da Paulista
O reflexo milionário
Das muralhas multinacionais
Refletindo no Pinheiros, triste e belo
O compasso simétrico de luzes
Que cortam a 23
Os neons multicoloridos e multiconvidativos
Dos inferninhos da Augusta...

Definitivamente:
Há poucas coisas mais poéticas
Que as luzes de São Paulo de madrugada.


Escrito por Luciano Favaro às 19h06
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Felicidade, paz e livros

O que faz um solitário nos dias livres? Distrai-se em sua própria companhia, ou lê.
Como já estou ficando cansado de mim, ando lendo bastante. Leio o jornal diariamente, leio as revistas, duas ou três, que aparecem em casa durante a semana, e livros. Leio livros consecutivamente. Tenho uma lista, que por sinal nunca diminui, dos livros que já estão à minha espera. E, se o cansaço do trabalho, às vezes, me impede de ler o quanto queria nos dias da semana, aos sábados tiro o atraso. Aliás, já está virando hábito. Acordo sábado pela manhã, coloco um ou dois livros na minha mochila junto a uma garrafa com algo para beber, prendo-a no bagageiro da bicicleta e pedalo até o Ibirapuera. Lá, paro na minha árvore de leitura (chamo de árvore de leitura porque ela parece ter sido arquitetada para isso, com uma espécie de concha natural onde é ótimo para se acomodar, e uma enorme sombra em meio ao gramado do parque) e fico lendo por uma, duas, algumas vezes até três horas. E então, quando a vista começa a cansar, fecho o livro e dou uma olhada ao meu redor, pais e filhos brincando no gramado, amigos jogando bola, as velhinhas andando rápido com suas roupas de ginástica, enquanto seus maridos estão, provavelmente, assistindo televisão em casa. O sol e a natureza do parque me alegram o dia e me enchem de paz e, depois de ficar um tempo curtindo o sol e o mato e o silêncio, pego minhas coisas, junto tudo novamente e volto para casa. Chegando lá, preparo alguma coisa para almoçar e, na mesa, enquanto como, penso em como nós procuramos a felicidade em tantos lugares e procuramos em tantas pessoas e, curiosamente, às vezes encontramos a felicidade nos aguardando, serenamente, debaixo da sombra de uma árvore.


Escrito por Luciano Favaro às 18h59
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