A Estrada Sem Nome


Poeminha do Imigrante

Êta lasquera

Terra da fumaça e da garoa

Ô terrinha boa

Apesar da trabalhera

 

Olha só essa gentidão

Que não pára sossegada

Parece sempre atrasada

Correndo a cada tempo

Em uma direção

 

Não dianta ficar parado

Nem tampouco de braços cruzados

É melhor apertar o passo

Que aqui se vai para frente

Nem que seja carregado

 

Mas, apesar da confusão

Que deixa qualquer um abestalhado

Você parece homem apaixonado:

Aceitou comigo o casamento

Antes mesmo de lhe pedir a mão

 

Por isso, te digo agora cortesmente:

São Paulo, teu coração

É igual ao de mainha

É só dar uma apertadinha

Que sempre cabe mais gente!

Escrito por Luciano Favaro às 00h47
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Poder e Sobrevivência

Um povo/nação se aproveita do momento histórico e toma conta do pedaço. Explora aqui, escraviza ali, até que um outro povo/nação aproveita outro momento histórico e puxa o tapete de todo mundo. Mais um pouco de exploração, mais um pouco de extermínio, e assim vem sendo desde que o mundo é mundo. Isso é natural do ser humano, mesmo que seja duro de admitir.

Os romanos foram grandes exploradores, construíram um próspero e gigantesco império às custas da escravidão de povos mais fracos e desorganizados. Os espanhóis e portugueses não foram diferentes, basta lembrar o que fizeram com os Andinos e com índios e os recursos naturais deste país. Os ingleses, polidos e cheios de classe, se esqueceram disso quando deixaram mulheres e crianças trabalhando doze, dezesseis horas diárias para manter as máquinas sempre a todo vapor na Revolução Industrial. Sem contar do neo-colonialismo, que bancou as jóias da coroa à custa de sangue, suor e lágrimas das colônias asiáticas.

Os Estados Unidos fizeram, e ainda fazem, as mesmas coisas, criando e recriando guerras infindáveis para garantir poder, petróleo e lucros incalculáveis de sua sempre poderosa indústria bélica. A diferença é que os americanos sempre tiveram um ótimo departamento de marketing.

E agora vem a China, que uniu o limbo de duas vias político-econômicas: Se olharmos para a esquerda, veremos uma ditadura militar oprimindo qualquer liberdade da população e dos meios de comunicação. E quem discordar disso leva bala. Se olharmos para a direita, veremos um país capitalista, apesar das bandeirinhas vermelhas, que conseguiu a proeza de escravizar seu próprio povo para ganhar espaço na corrida do comércio mundial, apresentando preços imbatíveis devido aos salários miseráveis e à exploração, inclusive infantil, na indústria.

Mas isso tudo é normal. Isso tudo é humano. Desde que descobrimos o osso e que poderíamos bater com ele no macaco mais fraco para garantir o canto mais seguro caverna, isso acontece. Então, nada de culpar os americanos, os romanos, os portugueses etc. pelas mazelas que hoje estamos vivendo. Poderia ser qualquer um, qualquer povo, basta apenas que fosse humano.

O interessante é que, ao saber que o planeta está morrendo, e junto deles nós também, pela primeira vez, e após milhares de anos, estamos diante de um dilema exclusivamente humano. Não tem nada a ver com cor da pele, com religião, política. Pela primeira vez em toda nossa existência, teremos que escolher entre dois dos nossos mais sólidos alicerces, duas de nossas principais buscas, que fizeram o Homem ser o que somos hoje: Precisamos escolher entre o Poder e a Sobrevivência. Ou o Homem continua sua busca desenfreada por dinheiro, e conseqüentemente por poder, e acabaremos todos cozinhados pelo calor, ou nosso velho e sempre bom instinto de sobrevivência sobressairá, acarretando certamente severos ônus financeiros para os países, principalmente os países mais industrializados, vulgo mais poderosos. As apostas estão na mesa.

 



Escrito por Luciano Favaro às 20h10
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A festa acabou

Não costumo escrever assuntos do cotidiano no blog, mas hoje vou abrir uma exceção. É que esse papo da destruição do planeta está me deixando com as barbas de molho de verdade.

O engraçado é que, durante muito e muito tempo, destruíram os rios, acabaram com as florestas, mataram os animais, produziram carros que faziam três quilômetros com um litro de gasolina - isso os econômicos, os potentes faziam três litros por quilômetro - e agora estamos nessa roubada que não tem hora para acabar.

Os noticiários então me dizem que só posso tomar um banho por dia, e de dois minutos, porque senão alguém no Uzbequistão ficará sem água para beber durante três meses. Se eu quiser pegar meu carro e ir até a padaria comprar pão, oitocentos ursos brancos morrerão imediatamente por causa do derretimento das calotas polares. E se eu colocar uma colherinha de soja a mais no meu prato então, sessenta e duas espécies de mamíferos serão extintas sumariamente na Amazônia no mesmo instante.

Em outras palavras, fizeram a maior festa de arromba neste planeta durante um século, e agora mandaram a conta, com juros e correção monetária, para nós, que não fomos convidados, pagar. E o pior de tudo é que a festa foi boa.

 

PS.: E para os mais otimistas, que ainda acreditam que isso aqui tem jeito, uma última notícia: O Irã está a um passo da fabricação da bomba atômica.

 

 

Boa noite e durma com os anjos.



Escrito por Luciano Favaro às 23h58
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