Um povo/nação se aproveita do momento histórico e toma conta do pedaço. Explora aqui, escraviza ali, até que um outro povo/nação aproveita outro momento histórico e puxa o tapete de todo mundo. Mais um pouco de exploração, mais um pouco de extermínio, e assim vem sendo desde que o mundo é mundo. Isso é natural do ser humano, mesmo que seja duro de admitir.
Os romanos foram grandes exploradores, construíram um próspero e gigantesco império às custas da escravidão de povos mais fracos e desorganizados. Os espanhóis e portugueses não foram diferentes, basta lembrar o que fizeram com os Andinos e com índios e os recursos naturais deste país. Os ingleses, polidos e cheios de classe, se esqueceram disso quando deixaram mulheres e crianças trabalhando doze, dezesseis horas diárias para manter as máquinas sempre a todo vapor na Revolução Industrial. Sem contar do neo-colonialismo, que bancou as jóias da coroa à custa de sangue, suor e lágrimas das colônias asiáticas.
Os Estados Unidos fizeram, e ainda fazem, as mesmas coisas, criando e recriando guerras infindáveis para garantir poder, petróleo e lucros incalculáveis de sua sempre poderosa indústria bélica. A diferença é que os americanos sempre tiveram um ótimo departamento de marketing.
E agora vem a China, que uniu o limbo de duas vias político-econômicas: Se olharmos para a esquerda, veremos uma ditadura militar oprimindo qualquer liberdade da população e dos meios de comunicação. E quem discordar disso leva bala. Se olharmos para a direita, veremos um país capitalista, apesar das bandeirinhas vermelhas, que conseguiu a proeza de escravizar seu próprio povo para ganhar espaço na corrida do comércio mundial, apresentando preços imbatíveis devido aos salários miseráveis e à exploração, inclusive infantil, na indústria.
Mas isso tudo é normal. Isso tudo é humano. Desde que descobrimos o osso e que poderíamos bater com ele no macaco mais fraco para garantir o canto mais seguro caverna, isso acontece. Então, nada de culpar os americanos, os romanos, os portugueses etc. pelas mazelas que hoje estamos vivendo. Poderia ser qualquer um, qualquer povo, basta apenas que fosse humano.
O interessante é que, ao saber que o planeta está morrendo, e junto deles nós também, pela primeira vez, e após milhares de anos, estamos diante de um dilema exclusivamente humano. Não tem nada a ver com cor da pele, com religião, política. Pela primeira vez em toda nossa existência, teremos que escolher entre dois dos nossos mais sólidos alicerces, duas de nossas principais buscas, que fizeram o Homem ser o que somos hoje: Precisamos escolher entre o Poder e a Sobrevivência. Ou o Homem continua sua busca desenfreada por dinheiro, e conseqüentemente por poder, e acabaremos todos cozinhados pelo calor, ou nosso velho e sempre bom instinto de sobrevivência sobressairá, acarretando certamente severos ônus financeiros para os países, principalmente os países mais industrializados, vulgo mais poderosos. As apostas estão na mesa.